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Modelo de Jogo - A Saída “à la Guardiola”


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2021-01-13 13:00:00 |

Modelo de Jogo - A Saída “à la Guardiola”

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Não é novidade para ninguém que a maioria dos Treinadores de Futebol desejam jogar de forma semelhante as equipes de Pep Guardiola. Mas você está disposto a estudá-lo? Você conhece as ideias do técnico espanhol? Já ouviu falar em Fixar Marcador, Desmarques e Terceiro Homem?

Por isso, Guilherme Vieira, que atualmente está cursando a Licença B da ATFA/CONMEBOL, é Treinador do Esporte Clube Castelo (Sub-15) e Colunista FI, esclarecerá algumas definições e interpretações referente às ideias do treinador.

Mas, por que o conhecimento das ideias de Pep Guardiola é tão importante?

Você vai entender agora. Boa leitura!

A reflexão acerca do que foi ano de 2020 é, em todos os âmbitos, fundamental para que em 2021 trilhemos um novo caminho. Nesse sentido, retorno ao mês de agosto, em que, durante uma aula ministrada por Carlos Leiria, treinador da base do Corinthians – e uma grande referência pessoal –, me foi fomentado o interesse por entender a fundo o que hoje se tornariam as ideias centrais deste texto. Assim como em nossa última discussão uma equipe foi utilizada como plano de fundo para debater ideias – sem o menor intuito de fornecer uma análise –, proponho novamente utilizarmos um Fractal[1] de um Modelo de Jogo para exemplificar a aplicação prática de alguns conceitos. Se anteriormente o escolhido foi o Liverpool de Klopp defendendo-se em Bloco Alto, agora chegou a vez do Manchester City e a “Saída à la Guardiola”.

Ao ouvirmos o popular “sair jogando desde trás”, provavelmente a primeira imagem que nos vem à cabeça é de um time de Pep Guardiola. Porém, mesmo sendo uma associação justa, essa ideia se relaciona diretamente com o que é a lógica inerente ao jogo de futebol, nomeadamente seus “Princípios Operacionais”. Bayer (1994)[2] entende que, para que sejam atingidos os objetivos do jogo em Fase Ofensiva[3], é necessário que a equipe consiga (1) Manter a Posse de Bola, (2) Progredir pelo Campo e (3) Criar Situações para Finalizar. Teoldo e Colaboradores (2009)[4] concordam com os 3 princípios citados, apesar de apontarem outros dois Princípios Operacionais Ofensivos – Construir Ações Ofensivas; Finalizar à Baliza Adversária. Nesse momento, direcionemos nossa atenção ao princípio de “Progredir pelo Campo”.

Visto a lógica operacional do jogo de futebol, agora vamos tentar nos aproximar da lógica utilizada por Guardiola para interpretar o jogo. O treinador dos Cityzens é adepto do famoso “Jogo de Posição”, uma Cultura de Jogo que não será aqui debatida e cujo conhecimento não é pré-requisito para os conceitos que virão a seguir, porém recomendo a leitura prévia do artigo de Guilherme Tadashi sobre o tema. Nesse sentido, o ponto principal de hoje não é o “Jogo de Posição”, mas sim um de seu Princípios: Encontrar o(a) Jogador(a) Livre. Quer dizer, para o Manchester City conseguir avançar em campo a partir de sua 1ª Fase de Construção, ou seja, “sair jogando desde trás”, é fundamental que primeiramente o(a) Jogador(a) Livre exista, e, em seguida, seja utilizado(a). A questão é: Como? A resposta é com você, mas permita-me uma pista: com ideias!

Imagem 1 - Quem é o Jogador Livre?

A busca pelo(a) Jogador(a) Livre parte do pressuposto de que, enquanto o goleiro adversário precisa proteger a própria baliza, nosso goleiro pode nos oferecer uma Superioridade Numérica de, pelo menos, 1 jogador (goleiro + 10 jogadores de linha X 10 jogadores de linha adversários). Dessa forma, sempre existirá, ao menos, um(a) Jogador(a) Livre quando temos a bola (imagem 2). 

Imagem 2

Além disso, considerando que a maioria dos adversários prioriza ter maior quantidade de jogadores em outras regiões do campo mais próximas de sua própria baliza para evitar riscos excessivos, o time com bola provavelmente terá ao menos 1 outro jogador livre além do goleiro (imagem 3). 

Imagem 3

Tendo em vista essa realidade, a questão agora é: como aproveitar essa vantagem[5] para avançar em campo? Ou, melhor dizendo, como criar e encontrar (ou se reconhecer como) o Jogador Livre? Já adianto que você não irá encontrar a resposta neste texto, porém espero que as ideias sugeridas a seguir te indiquem um caminho de como “Progredir pelo Campo” dentro de suas próprias convicções.

A primeira ideia que gostaria de discutir aqui é a de Fixar Marcador. Como não estamos tratando de conceitos científicos, mas sim de ideias subjetivas, pode ser que você encontre outras definições e/ou nomenclaturas – e, por favor, o faça para decidir qual lhe serve melhor –, mas minha interpretação pessoal é de que Fixar Marcador significa atrair intencionalmente a atenção de um ou mais adversários, com o intuito de manipulá-lo(s) a fim de gerar alguma vantagem para si próprio, algum companheiro e/ou todo o time. Nessa lógica, tal “manipulação” pode ocorrer tanto provocando algum movimento do adversário, quanto motivando-o a ficar parado, desde que haja intencionalidade. Para atingir esse objetivo, existem infinitas formas de Fixar Marcador, de maneira que trarei apenas alguns exemplos principais. Em seguida, você poderá conferir sua aplicação prática por parte do Manchester City de Pep Guardiola tendo em vista o Avanço em Campo.

Já que possuímos o recurso do vídeo, irei apenas categorizar os exemplos para facilitar a compreensão. Cada número citado terá seu trecho correspondente. No que se refere ao jogador com bola, serão expostas duas formas de Fixar Marcador: (1) Em condução; (2) Em passes. Já sobre os outros 10 jogadores sem a bola, veremos outras duas maneiras: (3) Individual; (4) Em inferioridade numérica. Ao final do vídeo, volte à Imagem 3 e responda: Onde você enxerga o conceito de Fixar Marcador? Qual é a relação desse conceito com a superioridade numérica de 2 jogadores a favor do time azul na zona demarcada?

A segunda ideia que acredito ser importante abordar é o Desmarque. Podemos compreendê-lo como qualquer ação realizada com a intenção de se livrar de seu(s) marcador(es), logo quem efetua um Desmarque torna-se, mesmo que momentaneamente, um Jogador Livre. Pode parecer algo relativamente fácil de compreender, mas o que de fato lhe confere sua merecida complexidade são as perguntas “Quando realizá-lo?”, “(Para) Onde realizá-lo?”, “Como realizá-lo?” e “Por que (com que intenção) realizá-lo?”. E com um detalhe: não existe resposta correta ou incorreta, mas sim a(s) que gera(m) vantagem em determinada situação.

Com isso, vamos agora repetir a dinâmica do vídeo, com a seguinte categorização prévia. Será exposto um tipo de Desmarque com bola: (1) Drible. E dois tipos de Desmarque sem bola: (2) De apoio; (3) De ruptura. Durante o vídeo, tente procurar uma relação entre as ideias de “Desmarque” e “Fixar Marcador”.

A terceira e última ideia a ser debatida é a dinâmica do “Terceiro Jogador” (também conhecida como “Terceiro Homem”). Pelo próprio nome, já podemos inferir que, se há um terceiro jogador, também existem o primeiro e o segundo. Assim, definimos essa dinâmica como a interação entre 3 jogadores, com o intuito de encontrar o terceiro livre, em condição de vantagem. Nesse sentido, percebemos que essa ideia, diferentemente das anteriores, não apenas visa criar (ou se reconhecer como) o já citado Jogador Livre, mas também fazer com que a bola chegue até ele. Por esta ser uma ideia mais complexa e com mais variáveis, a retomaremos em algum momento futuro, de modo que, neste primeiro momento, direcionemos nossa atenção não aos tipos de dinâmicas de “Terceiro Jogador”, mas sim apenas à ideia de encontrar o Jogador Livre por meio desse mecanismo. No vídeo abaixo, tente identificar a aplicação dessa ideia, e, em seguida, tente relacioná-la aos conceitos de Fixar Marcador e Desmarque.

Finalizando nossa reflexão, vamos agora relembrar o que discutimos hoje. Em primeiro lugar, para entender o motivo de “sair jogando desde trás”, vimos os Princípios Operacionais do jogo de futebol, que, apesar de termos focado no princípio de “Progredir pelo Campo”, coexistem simultaneamente. Em seguida, passamos brevemente pela perspectiva a qual Guardiola enxerga o futebol – o Jogo de Posição – para então chegarmos ao conceito de criar e encontrar (ou se reconhecer como) o(a) Jogador(a) Livre. Nesse caminho, discutimos sobre três ideias interligadas de como criar e utilizar vantagens para Avançar em Campo encontrando o Jogador Livre: Fixar Marcador, Desmarques e Terceiro Jogador. Assim, deixo com vocês o questionamento: Como você usaria as ideias abordadas neste texto para Progredir pelo Campo dentro da sua Ideia de Jogo?

E aí, você gostou do texto? Deixe aqui o seu comentário e não esqueça de colocar o seu nome na nossa lista de espera para o curso Treinadores na Prática! Entre na página https://futebolinterativo.com/cursos/treinadores-na-pratica/ e clique no botão “Tenho Interesse”.

Guilherme Vieira

FORMAÇÃO ACADÊMICA:

  • Graduando em Educação Física e Esporte pela Universidade de São Paulo (USP);
  • Cursando a Licença B de Treinador de Futebol ATFA/CONMEBOL.

EXPERIÊNCIAS:

  • Treinador de Futebol do Esporte Clube Castelo (Sub-15).

Referências bibliográficas:

BAYER, C. O ensino dos desportos colectivos. Lisboa: Dinalivro. 1994. 

Teoldo I, Garganta J, Greco PJ, Mesquita I. Princípios Táticos do Jogo de Futebol: conceitos e aplicação. Motriz. 2009;15(3):657-68.

https://www.cienciadabola.com.br/blog/o-que-e-jogo-de-posicao

https://universidadedofutebol.com.br/2019/12/04/sobre-nocao-de-superioridades-no-futebol-parte-i/

https://universidadedofutebol.com.br/2019/12/18/sobre-nocao-de-superioridades-no-futebol-parte-ii/


[1] Fractal: estrutura geométrica complexa cujas propriedades, em geral, repetem-se em qualquer escala (Oxford Languages). Nesse caso, o termo foi utilizado como uma metáfora para se referir a uma “parte” do Modelo de Jogo do Manchester City de Pep Guardiola que respeite as propriedades do Todo.

[2] BAYER, C. O ensino dos desportos colectivos. Lisboa: Dinalivro. 1994.

[3] É importante ressaltar que Bayer também aponta os Princípios Operacionais Defensivos, porém estes não foram abordados devido ao foco dado neste momento à Fase Ofensiva.

[4] Teoldo I, Garganta J, Greco PJ, Mesquita I. Princípios Táticos do Jogo de Futebol: conceitos e aplicação. Motriz. 2009;15(3):657-68.

[5] Para aprofundar no tema de Vantagens (ou Superioridades) no futebol, recomendo o artigo de Hudson Martins “Sobre a noção de superioridades no futebol”, Parte I e Parte II.

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16 comentários

Muito bom Guilherme, mais do que conceitos, é tentarmos entender bem os mecanismos possíveis para a progressão em campo. E conseguirmos darmos entendimento para nossos atletas brasileiros, para que com paciência e controle da bola, possamos atingir os objetivos planejados

Material muito bom e bem explicado.

Ótimo

Com esse conceito de saída de bola melhora muito o desempenho do time na saída de jogo desde lá de traz,assim a bola chega com mais qualidade ao meio pro ataque !!!!

Gostei mt , ia é o que eu venho tentando fazer a cada dia, mas é necessário está preparado ,fisicamente e mentalmente, mas é show

Saída de jogo perfeito, melhora o nível dos atletas, do goleiro à frente

Vai ser benção esse curso

Muito bom!sempre admirei o trabalho deste grande profissional

Agradeço a oportunidade de fazer parte.

Agradeço a oportunidade de fazer parte.

Agradeço a oportunidade de fazer parte.

Mas existe um porém para colocar esse tipo de jogo em prática temos que ter bons jogadores principalmente do meio campo pra frente.obrigado

Essa forma de jogar é muito antiga e ideal para desfrutar do jogo. A 50 anos atras ou mais só se praticava esse jogo. Ex. Jogava se na rua nessa époa haviam poucos carros circulando. Eram 2 gols peq. Chamados de gols caixote. Esses gols eram feitos de chinelos . Qdo a bola saía pela linha de fundo, o garoto ía pegar a bola e naturalmente iniciava o jogo entrando ao campo por dentro do gol. CONCLUSÃO: PARA O GAROTO DRIBLAR OU TOCAR PERTO DO GOL NAO LHE CAUSAVA RECEIO NENHUM . POR ESSE PEQ DETALHE DE BRINCAR FEZ O BRASIL TER GERAÇÕES MARAVILHOSAS DE JOGADORES SEM MEDO DE JOGAR. ISSO ERA NATURAL MAIS ACABOU. Q PENA

Muito bom! Parabéns!!!

O esquenta é uma forma diferente de jogar.E visionario.

Parabéns pela matéria, muito bem detalhada é de fácil entendimento.

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