Como As Seleções Líderes do Ranking Da Fifa Chegam ao Mundial?
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04-11-22 |

Como As Seleções Líderes do Ranking Da Fifa Chegam ao Mundial?

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Como As Seleções Líderes do Ranking Da Fifa Chegam ao Mundial?


Há cerca de duas semanas, a Fifa divulgou o seu último ranking atualizado de seleções antes do mundial, que se inicia no próximo dia 20/11. Nesta última divulgação, a seleção brasileira permaneceu como líder em relação ao último ranking divulgado no início do ano, seguida por Bélgica e Argentina.

Antes de entrarmos nas nuances que envolvem cada time, é necessário compreender os critérios utilizados na criação do ranking pois, para um torcedor mais leigo, ver a seleção belga em segundo lugar pode parecer um tanto quanto estranho, já que esta não possuí títulos de expressão em seu currículo.

Como Os Líderes Chegam Ao Mundial?

Chegando ao foco da discussão, analisaremos como cada seleção chega ao mundial, tanto técnica, como moralmente.

Brasil

A mídia tem levantado a bola que a seleção canarinho nunca chegou tão motivada e cheia de moral a uma Copa desde a de 2006.A ótima campanha, que terminou as eliminatórias de forma invicta, fez com que a moral do Brasil fosse recuperada mundo afora e que voltasse a ser um time temido pelos adversários.

Porém, algo que pode afetar o ânimo da equipe é o fato de seu principal jogador, Neymar, estar enfrentando um processo por fraude fiscal na Espanha por conta de sua transferência ao Barcelona, em 2013, algo que pode render ao craque até 2 anos de prisão. Tite terá que ser inteligente para que isto não afete os demais, não importando o veredito.

Tática

No amistoso contra a Tunísia, Tite escalou o Brasil em um 4-4-2, que poderia variar para um 4-2-4 ao longo da partida, dependendo da necessidade. Isso é possível pois tanto Lucas Paquetá como Raphinha, ao serem escalados mais próximos a meia, tem a habilidade de subir, fechando uma linha de 4 no ataque e jogando mais abertos.

Há ainda uma indefinição sobre quem pode ocupar as vagas disponíveis tanto na lateral esquerda (Éder Militão, Alex Telles, Renan Lodi) como na direita (Danilo, Alex Sandro, Daniel Alves, Emerson Royal), pois nenhum dos pretendentes vive uma fase excepcional no clube onde joga. Alex Telles, por exemplo, foi emprestado pelo Manchester United ao Sevilla após uma passagem extremamente desastrosa por Old Trafford. Renan Lodi, seu concorrente, seguiu o caminho inverso, saindo da Espanha para ir jogar no modesto Nothingham Forest, que tem apenas 2 vitórias em 12 jogos na Premier League.

As outras posições estão praticamente fechadas quanto aos titulares, tendo apenas que trabalhar para a composição de elenco.

Bremer e Ibañez surgem como boas opções para a zaga, enquanto Antony e Raphinha travam uma boa disputa pela ponta direita da seleção.

Podemos dizer que jogadores como Vinicius Junior, Alisson, Thiago Silva (que mesmo com a elevada idade ainda possuí ótimo nível técnico) e Richarlison (que, na minha opinião, se consolida na seleção após a Olimpíada de Tokio) estão praticamente com suas vagas encaminhadas.

Opções a Tite não faltam, basta apenas saber encaixar.

Bélgica

Muita coisa mudou no time belga nos últimos 4 anos. Suas principais estrelas, como Lukaku e Hazard, vêm em declínio físico e técnico temporada após temporada. Hazard, por exemplo, nunca teve estabilidade e grandes exibições no Real Madrid mesmo após 4 anos de clube e as principais conquistas obtidas pelo time nunca tiveram grandes contribuições suas.
Porém, se estes vêm em declínio, devemos ressaltar a evolução de Kevin de Bruyne, que se consolidou nos últimos anos como um dos melhores jogadores do mundo, moldado às mãos de Pep Guardiola.

Novas Joias

Desde que assumiu a seleção belga, o técnico espanhol Roberto Martinez tem investido recursos para que jovens jogadores fossem logo descobertos nos clubes para servirem a seleção no longo prazo.

O resultado disto é que a Bélgica pode trazer a Copa do Qatar algumas surpresas, acompanhadas dos jogadores mais promissores do mundo, como o meia Alexis Saelemaekers (Milan), os pontas Leandro Trossard ( Brigthon) , Yari Verschaeren (Anderlecht) e Charles De Keteleare (Milan).

Tática

Roberto Martinez costuma escalar o time em um 3-4-3 , com Castagne atuando mais avançado com um ala (no Leicester atua como lateral de oficio, porém é mais forte no ataque) e fechando uma linha de 4 no meio com Carrasco atuando na outra ponta.

Porém, o que costuma ocorrer também é a variação tática ao longo do jogo onde De Bruyne é posicionado atrás dos atacantes de área, que costuma ser uma dupla formada por Mertens e Lukaku.

Ofensivamente, há um avanço dos alas aos três atacantes, que forma uma linha de 5 que permite preencher todo o espaço presente na zaga adversária. Os três zagueiros possuem muita liberdade para sair com a bola e construir o jogo, o que permite o time como um todo avançar em um único bloco para o ataque com mais rapidez, formando um “elemento surpresa”.
Porém, ao mesmo tempo que possuem boa habilidade para construir o jogo, os zagueiros belgas, como Vertonghen, são conhecidos por serem extremamente lentos na recomposição, o que prejudica a evolução do ataque e pode sobrecarregar muito os volantes no caso de o time tomar um contra-ataque.

Argentina

Nossos “Hermanos” chegam embalados para o mundial, com os títulos da Copa América e da Finalissíma, conquistado sobre a Itália. Pode-se dizer que Leonel Scaloni, talvez o técnico mais promissor do futebol sul americano, recuperou a moral do time e elevou o padrão tático da equipe. Não à toa, estão invictos a 35 jogos.

Esta também será a última copa disputada por Leonel Messi, que já declarou que ainda não sabe o que fará após o mundial com relação a aposentadoria do futebol, mas é perceptível que vive o seu momento mais feliz com a seleção e que este é o melhor time com o qual já jogou em todas as copas que disputou.

Tática

“La Scaloneta”, como foi apelidado o time comandado por Scaloni, é um time de extrema velocidade e de muita solidez defensiva.

Esta solidez se inicia no gol com Emiliano Martinez, que se consolidou como goleiro titular da seleção. Basta lembrar que em 2018, a Argentina sofreu muito neste aspecto, já que Jorge Sampaoli preferiu escalar o instável Caballero por sua “facilidade” no jogo com os pés, algo que se provou não ter dado muito certo.

Nas laterais, Molina e Tagliafico costumam predominar por serem extremamente técnicos e de bom posicionamento, porém uma ótima opção que pode surgiu é Acuña, que tende a ser um lateral mais físico. Na zaga, a dupla consolidada é Romero e Otamendi, sendo que Romero, nos últimos anos cresceu muito taticamente, sendo eleito o melhor zagueiro do campeonato italiano pela Atalanta.

Passando para o meio, temos 4 jogadores extremamente técnicos, formado por Lo Celso, De Paul, Paredes e Di Maria. Lo Celso, inclusive, tem se destacado no Villareal como um meia mais aberto e ofensivo. A escalação se completa com Messi fazendo a ligação com o ataque, composto por Lautaro Martinez.

Jogadores como Dybala e Di Maria causam preocupação por conta de lesões, mas opções interessantes como Enzo Fernandez (Benfica) e Julian Alvarez (Man. City) podem substitui-los sem comprometer a integridade do time.

Conclusão

As três seleções provaram no último ciclo o porquê de estarem no topo do ranking da Fifa. São times que souberam se reinventar com os fracassos e que conseguiram construir resultados sólidos por meio de exibições sólidas. Mostram também terem recursos para que seus níveis técnicos não decaiam, sendo que passaram por uma grande renovação nos últimos 4 anos.

O que resta saber é se, de fato, todo este favoritismo irá se concretizar quando a bola rolar, pois sabemos que, no jogo, são 11 conta 11 e quem for melhor nos 90 minutos, independente de colocação no ranking , jogadores ou aspectos táticos, é quem ficará com a taça.


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Daniel Pessoa Ver mais desse colunista

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