É preciso respeitar os processos
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23-05-22 |

É preciso respeitar os processos

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É preciso respeitar os processos


Olá, camaradas. Todos e todas bem? Na última semana o noticiário do futebol brasileiro esteve envolvido em mais uma polêmica: a conturbada relação entre Paulo Sousa e Diego Alves, técnico e goleiro do Flamengo, respectivamente. 

Não vou neste artigo entrar em detalhes sobre qual lado está correto. Até porque, pela proporção tomada, todos os lados têm “culpa no cartório”, inclusive a direção do clube por demorar demais a se posicionar sobre o tema. 

No entanto, vou pegar um pequeno trecho desta polêmica para desenvolver o texto de hoje. Na fatídica entrevista de Paulo Sousa, o treinador relatou que não poderia colocar o goleiro como titular diante da Universidad Católica-CHI, pela Libertadores da América. Na justificativa, usou o termo “respeitar os processos” para dizer que, como Diego Alves não havia treinado, não poderia ir para o jogo. 

Mais uma vez, não quero entrar na polêmica da confusão entre treinador e jogador. Vou apenas pinçar essa frase dita pelo português. 

No futebol brasileiro, não se respeita processos. E isso vai desde os processos administrativos, até o campo e bola. 

Como o Futebol Interativo trabalha com o futebol em sua complexidade, abordando todos os temas que envolvem a indústria do esporte, fico à vontade de falar sobre este tema. 

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Começando pelos jogadores. Quantos clubes não colocaram atletas sem condições de jogo em campo? Quantos tiveram que se submeter a infiltrações e outros procedimentos clínicos de alto risco para estarem em campo? Isso é respeitar processos? Quantos jogadores são contratados em um dia, treinam no outro e no terceiro já estão jogando, de titular, sem nem ao menos conhecer os processos da equipe. 

Treinadores também não respeitam processos. Diversos vão à imprensa e dizem que é preciso pegar projetos sólidos, montar suas equipes, contratar os jogadores que se encaixam em seu modelo de jogo e que precisam de tempo de treinamento para aprimorar o elenco. Mas, na prática, quantos fazem isso? Quase todos, de medalhões a promessas, aceitam cargos no decorrer da temporada, inclusive com toda a pinta de que não vão conseguir fazer nada daquilo que dizem nas entrevistas e redes sociais. 

A imprensa não respeita os processos do futebol. Nesta quinta-feira, 19, mesmo, um grande jornalista, José Ilan, usou o Twitter para dizer que no quinto jogo de Fernando Diniz no Fluminense o time deveria mostrar um futebol melhor. Mas, como? Se o treinador não montou o elenco, está conhecendo as peças e praticamente não teve tempo para treinar, como mostrar um futebol melhor? E, pior, por que sempre a conta final cai na responsabilidade do treinador?

As diretorias não respeitam os processos. Pessoas que não têm capacidade alguma para a gerência do futebol assumem postos-chave no comando dos clubes brasileiros. Precisam lidar com algo que não entendem. Contratam e demitem treinadores sem saber bulhufas sobre o trabalho, ou o que o elenco precisa. Os departamentos de marketing, em quase todos os clubes, são amadores, com poucos profissionais capacitados que entendem, realmente, da indústria do futebol. 

Ou seja, nesta pequena reflexão, de alguns minutos, conseguimos compreender que os processos não são respeitados no Brasil. Por isso, quando vem um treinador de fora e que está acostumado com o mínimo de profissionalismo, se assusta com a bagunça generalizada que temos no Brasil. 

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É possível mudar? Sim, com certeza. Mas para isso é necessário romper a triste barreira que torna o mundo do futebol inacessível para profissionais que se capacitam e que sonham em ter um espaço e fazer diferente. Enquanto no Brasil continuarmos na mesmice, os resultados não mudarão. Continuaremos na segunda, ou terceira, prateleira do futebol mundial. 


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Matheus Brum Ver mais desse colunista

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