Gestão de crise: quatro passos fundamentais
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19-07-22 |

Gestão de crise: quatro passos fundamentais

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Gestão de crise: quatro passos fundamentais


Gestão de crise. Um termo que assusta, mas que é necessário mantermos sempre em nosso vocabulário. Fazer um bom trabalho para prevenir uma crise - e amenizar os efeitos negativos quando ela acontece - é essencial para a carreira de qualquer atleta e para a integridade de qualquer organização esportiva – seja ela um clube, uma empresa, federação ou outras entidades reguladoras.

O primeiro passo é entender que, especialmente no mundo esportivo, as crises são inevitáveis. São inúmeros fatores que podem causar um dano à imagem do atleta ou do clube - resultados negativos, maus desempenhos, declarações infelizes ou até mesmo tiradas de contexto pelos jornalistas podem acarretar em sérios problemas de imagem e reputação.

Outro fator que temos que levar em consideração é que a tecnologia e as redes sociais fizeram com que a notícia e a distribuição de informações não fossem mais uma exclusividade da imprensa. Qualquer pessoa pode fazer com que um fato ou um acontecimento rapidamente se espalhe - e isso, para causar uma grande crise de imagem, é um prato cheio.

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Neste texto, listamos alguns passos fundamentais para um bom gerenciamento de crise. Cada etapa deve ser compreendida e realizada por todos os envolvidos, para que o prejuízo após a crise seja o menor possível.

Confira, abaixo, os quatro passos fundamentais para uma comunicação eficiente em momentos de crise:

1. Acompanhe a situação em tempo real (na imprensa e nas redes sociais)

Saber o que os jornalistas e os torcedores estão falando – e pensando – sobre a situação é talvez o principal ponto para gerenciar, de forma eficaz, qualquer cenário negativo.

Porém, apenas acompanhar e saber o que está rolando, não basta. É necessário elaborar relatórios e fazer levantamentos das informações que estão circulando e se tornaram públicas – mesmo que nem todas correspondam à verdade. A partir dos dados levantados, conseguimos fazer uma leitura mais eficiente da situação e estabelecer, de forma eficaz, os próximos passos.

2. Reúna todos os setores e pessoas envolvidas na situação

Em cenários negativos, é imprescindível formar o que chamamos de comitê de crise. É necessário entender todos os lados envolvidos e quais consequências um comunicado – ou a falta dele – pode gerar para estes setores e, principalmente, à instituição ou personalidade diretamente afetada pela crise.

Através disso, definir as estratégias comunicação mais eficazes e também um discurso único, evitando ruídos e contradições que possam piorar a situação.

3. Defina um porta-voz

De forma complementar ao ponto anterior, definir um único porta-voz se mostra uma estratégia importante e eficiente no gerenciamento de crises. Necessita ser alguém capacitado e com credibilidade para responder aos questionamentos e passar a mensagem de forma clara, coesa, diminuindo, assim, os efeitos da crise.

Principalmente em clubes e em assuntos que fogem às quatro linhas – como os (infelizmente) constantes problemas financeiros – quanto menos pessoas falarem sobre o assunto, melhor. Reforçando o que já falamos no item anterior, um único porta-voz e um discurso alinhado evita ruídos e contradições que possam aumentar a crise.

4. Assuma as responsabilidades

Em momentos negativos, não é hora de buscar responsáveis ou de terceirizar a culpa. Um atleta precisa assumir o erro em campo que resultou na derrota do time, ou reconhecer uma postura inadequada nas redes sociais, por exemplo. Um gestor deve se responsabilizar publicamente por alguma crise interna no clube.

Mesmo que o cenário negativo seja gerado por uma atitude individual, o coletivo precisa ser preservado, e quem está à frente da situação deve se posicionar – e assumir.

Negação e fuga de responsabilidade, geralmente, prejudica a reputação da entidade.

Há um ponto básico em qualquer cenário, em qualquer estratégia de gerenciamento de crise, que é falar a verdade. Mentir nos discursos e omitir informações que sejam de interesse público, além de não funcionar, não é ético – pode, inclusive, ser crime.

Não há gerenciamento de crise que salve a imagem de personalidades e entidades que não são íntegras.

Falar a verdade, assumir as responsabilidades, monitorar a situação e definir discurso e porta-voz. Pontos que parecem básicos, mas formam o alicerce para um gerenciamento de crise eficiente. O mundo do futebol é dinâmico, intenso, e os cenários mudam o tempo inteiro – quase sempre influenciados pelos resultados em campo. Esse dinamismo faz com que seja necessário dedicação quase que integral dos responsáveis pela comunicação de um clube e pelas assessorias pessoais dos atletas, mas também reforça um ponto que pode parecer clichê: as fases mudam. Um cenário altamente negativo hoje, pode ser revertido em algo positivo amanhã. Basta agir com ética e competência.
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REFERÊNCIAS
DUARTE, 2006; BARBEIRO, 2013; MAFEI, 2004; FORNI, 2015; BERNSTEIN, 1986;

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Andrey de Oliveira Ver mais desse colunista

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