O GRUPO DO BRASIL NA COPA DO MUNDO NO CATAR
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22-11-22 |

O GRUPO DO BRASIL NA COPA DO MUNDO NO CATAR

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O GRUPO DO BRASIL NA COPA DO MUNDO NO CATAR


A seleção brasileira conheceu seus adversários no dia 01º de abril, oportunidade na qual soube que iria enfrentar as europeias Suíça e Sérvia, bem como os africanos de Camarões. Quem se lembra do mundial de 2018, recordará que as duas seleções da Europa também estavam no grupo do Brasil há 4 anos, quando a seleção brasileira avançou sem maiores dificuldades. Porém, engana-se quem acha que o cenário se repetirá de forma tranquila. Muita coisa mudou neste ciclo até 2022, isso é o que veremos a partir de agora.

Analisaremos os 03 adversários do Brasil por ordem dos confrontos, ou seja, Sérvia, Suíça e Camarões. Nessa análise, vamos nos pautar em 05 critérios, sendo eles: Trajetória e Momento, Expectativa, Força do Elenco e Destaques Individuais, Esquema de Jogo e Treinador.

SÉRVIA

Trajetória e Momento: A equipe dos Balcãs entrou em campo 46 vezes desde a última copa do mundo, com 24 vitórias, 14 empates e 8 derrotas. Nesse período, vale ressaltar a classificação em primeiro lugar nas eliminatórias para a copa, em um grupo que contava com Portugal. Na Liga das nações, a Sérvia também terminou em primeiro lugar no seu grupo, garantindo a vaga para a liga A. O clima na seleção dos sérvios não poderia ser melhor. São 5 jogos de invencibilidade, a conquista para o primeiro escalão da Europa já citada acima aliado à boa fase que vive seus principais jogadores. Neste cenário, a equipe chega bem confiante com o sentimento de que dá para fazer melhor comparado ao último mundial e avançar de fase

Expectativa: Diante das últimas campanhas e resultados, a sensação que fica é de que a Sérvia disputará com a Suíça a segunda vaga do grupo, já que a primeira deve ficar com os brasileiros. Entretanto, há um leve favoritismo apontando para o time sérvio, devido ao melhor momento e um elenco considerado mais forte. Sendo assim, espera-se que a equipe chegue as oitavas de final (o que seria a melhor campanha na história do país), e, quem sabe, avance até as quartas, superando as expectativas.

Força do Elenco e Destaques Individuais: Aqui talvez resida o ponto forte da Sérvia para a Copa do Mundo. O elenco é equilibrado e recheado de jogadores que atuam nas principais ligas europeias. São pelo menos 04 jogadores que merecem atenção: A inspirada dupla de ataque formada por Vlahovic e Mitrovic (foram 65 gols marcados pelos atacantes (22 e 43 respectivamente) na última temporada por seus clubes (Juventus e Fuham). Na temporada atual, já somam 13 gols pelas ligas nacionais. Além disso, ainda há nomes de destaque em outros setores, tais como os meias Milinkovic Savic da Lazio e Tadic do Ajax. Vale a pena ficar de olho no que esse elenco pode fazer durante a Copa.

Esquema de jogo: O time atua, em regra, no 3-4-1-2. O que percebemos é que foram utilizados vários jogadores e feito um rodízio em algumas posições, além de variações táticas, mas sempre com 3 zagueiros e 2 alas. A sérvia é uma equipe que, como disse seu técnico, gosta de jogar e procura ficar com a bola para construir seu jogo a partir da associação entre os meias e os alas. É uma seleção bastante ofensiva quando tem a bola, o que pode ser confirmado quando observamos a linha de 4 (A Sérvia não possui volante de origem, sendo 2 meias com mais atributos de criação e os 2 alas (Kostic e Zivkovic) são jogadores originários de ataque) em conjunto com Tadic (meia atacante) e os 2 centros avante já citados. Sem a bola, o time se posiciona em bloco médio e os alas fazem a recomposição, mas aí está o ponto fraco. A transição defensiva é falha, deixando um espaço frequente entre os zagueiros e os alas. Além disso, os zagueiros se atrapalham no posicionamento e possuem limitação técnica no combate individual. O time base para a fase de grupos deve ser: Milinkovic-Savic, Milenkovic, Vejkovic e Pavlovic. Zivkovic, Lukic, Milinkovic-Savic e Kositc. Tadic. Mitrovic e Vlahovic

Treinador: O comando da seleção sérvia fica a cargo de Dragan Stjokovic, velho conhecido dos torcedores. Como jogador, disputou 2 mundiais e possui extrema identificação com o país, carregando no currículo a bagagem de ser um dos grandes craques dos Balcãs. O técnico de 57 anos acumula passagens pelo futebol asiático, no qual conquistou um campeonato japonês e soma mais de 100 jogos pelo chinês Guangzhou. A frente da seleção nacional desde março de 2021, soma 20 jogos com 13 vitórias, 4 empates e apenas 3 derrotas. O comandante está confiante em sua equipe e afirmou gostar de desafios. Apesar de considerar um grupo difícil, disse que são plenamente capazes de vencer seus jogos assim como fizeram diante de Portugal nas eliminatórias.


SUÍÇA

Trajetória e Momento: Desde a derrota para a Suécia nas oitavas de finais da copa de 2018, os suíços entraram em campo 49 vezes. Foram 23 vitórias, 10 empates e 16 derrotas. O melhor momento talvez tenha sido a classificação em cima da poderosa França na última Eurocopa. Olhando apenas os números, o aproveitamento na casa dos 54% não empolga. Recentemente, a equipe também não convenceu na Liga das Nações, somando apenas 9 pontos em 6 jogos, terminando em 3º lugar no seu grupo, atrás de Espanha e Portugal, apesar de 3 vitórias nos últimos 3 jogos, o que pode ser o marco para uma virada de chave no desempenho do selecionado nacional.

Expectativa: O cenário aponta que a Suíça disputará a segunda vaga do grupo com os sérvios. Se a lógica persistir, as duas seleções devem vencer camarões, ou seja, somar pontos contra a seleção brasileira pode ser o grande diferencial no grupo. Outro cenário imaginável é que as duas seleções se enfrentem com o mesmo número de pontos na última rodada, e diante de um possível empate, a vaga será definida nos critérios de desempate. Sendo assim, quem vencer camarões pela maior diferença de gols e perder para o Brasil pela menor diferença, garante sua classificação. Os suíços devem, no máximo, alcançar as oitavas de finais.

Força do elenco e Destaques Individuais: A seleção suíça chega com velhos conhecidos dos torcedores e mantendo boa parte do elenco que disputou o último mundial. O ponto forte desse time é o sistema defensivo, já destaque em outras oportunidades. Sendo uma equipe que toma poucos gols, muito se deve ao ótimo Goleiro Sommer e ao zagueiro Akanji, contratado pelo Manchester City nesta temporada. No setor central, a equipe conta com o experiente Xaka, volante de bom passe e organizador da equipe. No ataque, o veterano Shaqiri, com passagem por gigantes europeus como Bayern e Liverpool e uma Champions no currículo, carrega o peso de ser o jogador de quem mais se espera individualmente.

Esquema de Jogo: Desde que houve a mudança no comando da equipe, o sistema mais utilizado foi o 4-2-3-1 com a seguinte escalação: Sommer, Widmer, Akanji, Elvedi e Rodriguez. Xaka e Freuler. Sow, Shaqiri e Vargas. Seferovic. O 12º jogador da equipe é o atacante Embolo, presença constante nos jogos. A Suíça se posiciona em bloco baixo e marca seu adversário bem atrás, esperando. É um time bem disciplinado e que dificilmente vai desmontar sua compactação defensiva, ou seja, as linhas costumam trabalhar em sincronia. A marcação alterna entre zona e individual, o que pode confundir o ataque adversário. Quando tem a bola, se mostra uma equipe paciente, abusa da troca de passes para encontrar espaços fazendo um jogo de criação que começa com seus zagueiros e passa muito pelo meia Xaka, em constante associação com os laterais. A linha de 3 formada por Shaqiri, Sow e Vargas se movimenta bastante e costuma incomodar o oponente. Destaque para a bola parada ofensiva, que continua forte e fonte de diversos gols, inclusive o marcado contra o Brasil no confronto de 2018.

Treinador: Assim como nas seleções da Sérvia e de Camarões, o comando fica por conta de um ex-jogador da seleção. Neste caso, Murat Yakin foi o escolhido. O treinador construiu a maior parte da sua carreira no país de origem, treinando times como Basel (99 jogos) e FC Schaffhausen (101 jogos). A frente da equipe nacional desde agosto de 2021, o técnico soma 15 jogos, com 7 vitorias, 4 empates e 4 derrotas. O desempenho razoável acompanha o que tem sido todo ciclo suíço nos últimos 4 anos, uma seleção que não desaponta, mas também está longe de encantar.

CAMARÕES

Trajetória e Momento: Dentre os adversários da seleção brasileira, Camarões foi quem mais entrou em campo, para a surpresa de muitos. Durante o caminho até o Catar, foram 56 jogos, com 24 vitórias, 18 empates e 14 derrotas. Fica de alento a boa campanha na Copa Africana de Nações, ainda com seu ex-técnico, quando o time conquistou o 3º lugar no torneio (Classificou em primeiro na fase inicial e caiu apenas nas semifinais, nos pênaltis, diante do Egito). Isso aliado à classificação para a copa com vitória fora de casa na prorrogação sobre a Argélia. Por outro lado, o momento não empolga, com 2 derrotas nos dois últimos compromissos antes da Copa, contra adversários considerados fracos (Coreia do Sul e Uzbequistão). Definitivamente é uma seleção que não convence.

Expectativa: Pelo exposto acima, pelo pouquíssimo tempo de trabalho do atual treinador e pelo sorteio que Colocou a seleção frente a Brasil, Sérvia e Suíça, a expectativa é que camarões seja o figurante do Grupo G. Não será nenhuma surpresa se a equipe terminar sua participação com 3 derrotas na fase de grupos. Dessa forma, qualquer ponto somado e até uma improvável vitória são fatores para se comemorar, já que é praticamente impossível imaginar que a seleção camaronesa avance de fase.

Força do Elenco e Destaques Individuais: O elenco possui atletas com experiência em grandes times europeus, como é o caso dos seguintes jogadores: goleiro Onana (base do Barcelona, Ajax e atualmente Inter de Milão), volante Zambo Anguissa (atualmente no Napoli) e dos atacantes Choupo Moting (PSG e atualmente Bayern de Munique), Toko Ekambi (Villareal e atualmente Lyon) e Aboubakar (Porto e Besiktas); entretanto, é pouco. Faltam peças em outros setores e até mais rodagem para maioria dos jogadores, que vão para seu primeiro mundial. Apesar de não ser o nome mais conhecido, o centro avante Vincent Aboubakar é o grande astro da seleção, principalmente pelo seu poder decisivo. O atleta foi artilheiro da última Copa Africana de Nações com 8 gols e é o quinto jogador que mais vestiu a camisa da seleção (87 partidas), além do terceiro que mais marcou gols pelo seu país (são 33 bolas na rede). Recentemente, o jogador deu a seguinte declaração polêmica sobre a seleção brasileira: "Não temos medo do Brasil, porque esse time não é como os que conhecemos no passado. É claro que existem bons jogadores. Mas, para ir longe em uma competição como essa, você precisa de um grupo muito unido. Sem esse coletivo, de pouco adianta alinhar grandes nomes”.

Esquema de Jogo: São apenas 7 partidas disputadas desde que o novo treinador assumiu o comando da equipe, suficiente para observar que existe um padrão. O esquema mais utilizado foi o 4-4-2 com 2 linhas de 4 e 2 centros avante a frente. Quando houve variação (foram testados 3-4-3 e 4-3-3), a equipe saiu derrotada. Nesse período, houve diversas trocas de jogadores, o que torna imprevisível decifrar a escalação para a estreia contra a Suíça, apesar que o time ainda faz 2 amistosos antes da copa. É nítido que a equipe ainda está em fase de testes e não tem seus titulares definidos completamente. Contudo, os 11 prováveis que devem começar são: Onana, Fai, Castelleto, Ngadeu (Nkolou) e Tolo. Hongla (Mbeumo), Oum Gouet, Zambo Anguissa e Toko Ekambi. Choupo Moting e Aboubakar.

Treinador: Rigobert Song é mais um que já atuou por seu país. O ex-zagueiro disputou 137 partidas por Camarões e devido a sua identificação com a seleção, foi o nome escolhido para comandar a equipe após a copa africana de nações. Logo de cara, enfrentou 2 jogos decisivos contra a Argélia, com a missão de levar sua equipe para a copa, o que conseguiu. Porém, após a classificação somou 3 derrotas em 5 jogos e o time não emplacou. No geral, são 7 jogos com 4 derrotas e 3 vitórias. O atual técnico não possui experiência em clubes, tendo uma passagem pela seleção do Chade antes de assumir como técnico da seleção camaronesa sub-23, chegando ao posto atual em março de 2022.


Neste cenário, diante do apresentado, acreditamos que a liderança do grupo ficará com o Brasil, que deve somar 7 ou até mesmo 9 pontos. Sérvia e Suíça devem chegar na última rodada com o mesmo número de pontos, o que faz desse jogo uma grande decisão entre as equipes. Vale lembrar que em 2018 essas equipes se enfrentaram, oportunidade na qual os suíços levaram a melhor em um jogo recheado de polêmicas (na ocasião, Xhaka e Shaqiri foram os responsáveis pela vitória e na comemoração dos gols, ambos fizeram o símbolo da bandeira da Albânia, uma águia negra de duas cabeças. Isso porque a maioria do povo kosovar é de origem albanesa). A região de Kosovo fica dentro do território da Sérvia e declarou independência de forma unilateral em 17 de fevereiro de 2008. Os sérvios não reconheceram esse ato e ainda consideram Kosovo como parte do país. Espera-se que dessa vez a história seja diferente devido a superioridade técnica do time sérvio.


A seleção camaronesa deve perder seus 3 jogos e despedir precocemente, sem apresentar maiores dificuldades para seus adversários. Dessa forma, pensamos que a seleção brasileira avança em primeiro lugar, seguido pela Sérvia.


COMENTÁRIOS

COLUNISTA FI

Naim Abdala Ver mais desse colunista

Matheus Abdala

Muito didático!! Parabéns pelo conhecimento que trouxe.

05/12

Naim Abdala

Obrigado a todos

05/12

Sonia Abdala

Um ótimo analista... perfeito

05/12

Sonia Abdala

Um ótimo analista... perfeito

05/12

Katia Lenza

Não entendo muito de futebol, mas de jornalismo sim. Parabéns!

05/12

Rafael Hayne

Parabéns! Top.

05/12

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