O preço da falta de planejamento
Futebol Interativo
Carregando...

14-06-22 |

O preço da falta de planejamento

Compartilhe img

O preço da falta de planejamento


Olá, camaradas. Todos e todas bem? Espero que sim. Nesta última semana vimos mais uma cena espetacular do futebol brasileiro: a demissão de Paulo Sousa do Flamengo. A falta de profissionalismo foi tão grande que até mesmo um medíocre filme de comédia não daria conta de fazer algo igual. 

O treinador, sabendo da demissão, teve que ficar concentrado com os atletas e até mesmo comandar o treino pós-derrota para o Bragantino. Mesmo com todos da imprensa noticiando a chegada de Dorival Júnior, o português não tinha ainda a confirmação oficial da sua saída. Em reportagem do GE, foi informado que os próprios jogadores, que não gostavam do treinador, ficaram constrangidos com o tratamento dado pela diretoria do clube ao antigo comandante. 

O caso rubro-negro é apenas mais um dos vários que expõem, claramente, o amadorismo do futebol brasileiro. Só para efeito de comparação, o Flamengo gastou R$22,1 milhões com rescisões de contrato de técnicos que chegaram ao clube depois da saída de Jorge Jesus. 

Esse é a soma do valor pago para cada um. A inflação do período não entra na conta. Ou seja, o dinheiro real, hoje, é bem maior. Ou seja, percebam, camaradas, a quantidade de grana jogada, literalmente, no lixo. 

+ Conheça nossos cursos de Gestão e tenha a oportunidade de vivenciar o dia a dia de um clube!

Com esse valor o Flamengo poderia muito bem, por exemplo, dar aumento para profissionais do clube. Mesmo com R$1 bilhão de faturamento anual, o rubro-negro carioca não valoriza seus trabalhadores. Diversos deixaram a Gávea e foram para outros clubes, até mesmo de Série B. Ninguém trabalha sem valorização. 

O Flamengo não tinha profissional para comandar o treinamento, caso Paulo Sousa fosse avisado da demissão após a derrota em Bragança Paulista. Por isso, inclusive, passou pelo constrangimento de ter que dar treino mesmo com a iminente demissão. O atual técnico do sub-20, que foi chamado às pressas para Atibaia, interior de São Paulo, onde o clube está treinando, subiu do sub-17 recentemente. O motivo? O antigo treinador do sub-20 saiu do clube. 

Dorival Júnior, que chega para sua terceira passagem à frente do Flamengo, terá também que montar uma comissão técnica. Ao contrário dos portugueses, os treinadores brasileiros não têm comissão fixa. Normalmente levam dois ou três nomes de confiança. E trabalham com o resto dos auxiliares que são contratados dos clubes. 

Ou seja, um clube com R$1 bi de faturamento não valoriza seus profissionais, contrata técnico sem critérios claros, não tem comissão técnica e ainda expõe os trabalhadores a situações constrangedoras. Ao mesmo tempo, paga R$22,1 milhões por causa dos erros nas escolhas dos treinadores e da falta de respaldo a eles. 

+ Conheça o canal Tática Didática. Acesse aqui!

Isso mostra que ter dinheiro não é tudo. Uma estrutura profissional é mais que necessária para que o futebol brasileiro possa dar passos largos e tentar, no futuro, ainda competir com a Europa. O Flamengo tem um faturamento que aproxima das equipes medianas do futebol europeu, com possibilidade de crescimento. Mesmo assim ainda mantem uma estrutura arcaica no Departamento de Futebol. 

O retorno de tanta bagunça é esse: gastos desnecessários e falta de estrutura para lidar com os problemas causados pela própria diretoria. 

Te faço uma pergunta, camarada: até quando veremos isso no futebol brasileiro?


COMENTÁRIOS

COLUNISTA FI

Matheus Brum Ver mais desse colunista

0 comentários

Essa publicação ainda não tem comentários.

Quero ser um colunista FI