Os times brasileiros são obrigados a ganhar as competições sul-americanas?
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31-05-22 |

Os times brasileiros são obrigados a ganhar as competições sul-americanas?

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Os times brasileiros são obrigados a ganhar as competições sul-americanas?


Olá, camaradas. Todos e todas bem? Espero que sim. Na última sexta-feira, 27, foram sorteados os chaveamentos do mata-mata da Copa Libertadores da América e Copa Sul-Americana. Com diversos times brasileiros envolvidos, o sorteio realizado pela Conmebol monopolizou o debate esportivo do dia. 

E junto com as previsões de quem será campeão, ou teve um chaveamento mais fácil, vem a pergunta: os times brasileiros são obrigados a vencer as duas competições?

A minha resposta é: não. Só que esse “não” vem com algumas objeções, que vou tratar ao longo deste artigo. De bate-pronto, justifico o “não” dizendo que o futebol vai além do dinheiro. Mesmo que o Brasil seja, entre os países sul-americanos, o que mais gasta com futebol, não quer dizer que vamos ganhar todos os torneios. Se fosse assim, numa comparação com os europeus, PSG e Manchester City ganhariam todos os troféus. E a realidade não é bem essa. 

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No entanto, os clubes brasileiros têm obrigação de fazer uma grande campanha. Cair na primeira fase das competições é, na minha visão, um vexame. As folhas salariais, o investimento e o gasto que as equipes fazem para disputar a Libertadores e a Sula, por exemplo, são muito maiores que as registradas pelos times sul-americanos. E isso precisa entrar na conta. 

Só que, ao mesmo tempo, temos um problema: nosso desenvolvimento tático, muitas vezes, peca em relação aos nossos irmãos continentais. A “escola” brasileira não exporta treinadores para o mercado europeu. Nossos vizinhos já têm sucesso nesta questão. Vemos muitos treinadores promissores disputando a Libertadores. Poucos estão nos times brasileiros. O mais promissor treinador nacional, Maurício Barbieri, caiu na Fase de Grupos da Libertadores. Ficou em último do grupo. Nem Sula pegou. Isso não é à toa. É sintoma da nossa dificuldade de formar grandes treinadores. 

Se pegarmos os times brasileiros que estão na Copa Libertadores da América, apenas o Athletico é treinado por um técnico local: o experiente e renomado Luiz Felipe Scolari. Todos os outros têm na beira do campo comandantes estrangeiros. 

Isso mostra como que esse debate precisa ser aprofundado. Não dá mais para ficar preso em discurso protecionista de técnico brasileiro. É preciso encarar a realidade e cobrar que nossos treinadores se capacitem mais, para que recuperem o espaço perdido. A questão não tem que ser unicamente a nacionalidade do treinador, e sim a capacidade que cada um tem de gerir a equipe e conseguir bons resultados. 

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Portanto, creio que os times brasileiros não têm obrigação de vencer as competições sul-americanas. Até porque há muitos pormenores entre o sucesso e fracasso. Há estádios lotados, torcida que apoia 90 minutos, arbitragem tendenciosa, entre outros problemas que já cansamos de ver os times brasileiros enfrentarem nos torneios continentais. 

Só que, mesmo com essas questões, as nossas equipes precisam competir, realizar bons jogos e buscar a classificação para as próximas fases, respeitando o adversário, mas mostrando que nossa capacidade financeira, técnica e tática é maior. Somente assim teremos a possibilidade de um dia tentar voltar a bater de frente com o futebol praticado na Europa. 


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Matheus Brum Ver mais desse colunista

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