Sem zebras, primeiros jogos das oitavas de final definem confrontos gigantes na próxima fase
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06-12-22 |

Sem zebras, primeiros jogos das oitavas de final definem confrontos gigantes na próxima fase

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Sem zebras, primeiros jogos das oitavas de final definem confrontos gigantes na próxima fase


Sem brilho, mas com equilíbrio e efetividade, Holanda elimina Estados Unidos

O primeiro jogo das oitavas de final reservou o primeiro encontro de Holanda (1° colocada do grupo A) e Estados Unidos (2° colocado do grupo B) em Copas do Mundo. Holandeses se classificaram sem muitas dificuldades, mas também sem nenhum brilho e até decepcionando nos jogos contra Senegal e Equador, quem apostava numa campanha mais convincente da seleção européia. Já os americanos tiveram emoção até a última bola na disputa contra o Irã para garantir a segunda colocação no grupo e avançar de fase.

A seleção americana começou o jogo no campo de ataque e o craque e camisa 10 do time, Pulisic perdeu uma chance claríssima de abrir o placar logo aos 2 minutos. Já aos 9 minutos, após uma linda jogada de toques rápidos e aproximações, que se iniciou antes do meio de campo, o craque e camisa 10 da seleção holandesa, Memphis, não desperdiçou a chance e fez 1 a 0 para os holandeses. Destaque para o passe do ala Dumfries.

Em um jogo de mata mata em uma Copa do Mundo que se mostra tão equilibrada, sair na frente pode encurtar o caminho da classificação e foi exatamente assim que ocorreu para a Holanda. Como citado, os holandes não encantaram na primeira fase, mas possuem um time equilibrado e o técnico Louis van Gaal afirmou recentemente que esta seleção é superior à equipe que terminou em 3° lugar na Copa de 2014, no Brasil. Os talentos no ataque não se comparam aos craques Robben, Van Persie e Sneijder, mas principalmente Gakpo se mostrou muito efetivo na fase de grupos. Já o sistema com 3 zagueiros se mantém e contando com Virgil van Dijk, provavelmente o melhor zagueiro do futebol na atualidade. Assim, o equílibrio do 3-4-1-2 une a solidez defensiva com um ataque efetivo. Ingredientes necessários para qualquer seleção que almeja vencer a competição.

Após o gol, os holandeses ofereceram a bola aos americanos e o jogo não reservou grandes jogadas ou oportunidades até o minuto 45. Numa jogada que se iniciou em uma cobrança de lateral e que se conclui praticamente como um replay do primeiro gol, a Laranja Mecânica ampliou para 2 a 0, diferença que desta vez o passe foi de Dumfries para Blind. Do ala que apóia pelo corredor para o ala construtor, garantindo maior tranquilidade aos europeus para a segunda etapa. O que se destacou ao fim do primeiro tempo foi a posse de bola: 63% para os EUA e 27% para a Holanda. Neste menor tempo em posse da bola, a efetividade holandesa é comprovada com um número maior de finalizações (4 conta 3), sendo 2 arremates no gol, que entraram e construiram a vantagem.

Após três partidas, Gakpo não fez gol, mas salvou uma bola em cima da linha no início do segudo tempo e que poderia trazer um ritmo diferente na partida. Dumfries ainda criou problemas aos americanos e apesar de manter a menor posse de bola, teve as melhores oportunidades de ampliar no segundo tempo, com o goleiro americano Matt Turner operando um milagre numa cabeçada de Memphis. Mas ao 30 minutos do segundo tempo e após uma cobrança de escanteio, os EUA trabalharam a bola e num passe de Pulisic, Wright, numa finalização esquisita, descontou para a seleção da Concacaf. Dois minutos depois, o próprio Wright quase teve chance de empatar, porém o goleiro Noppert se antecipou e afastou o perigo. Se havia esperança americana, se encerrou 35 minutos, quando Blind retribuiu o passe e cruzou para Dumfries fazer o terceiro gol holandês. Duas assistências e um gol credenciaram o número 22 da Holanda como melhor em campo. Após o 3 a 1 quase nenhuma ação a se destacar até o final do jogo. Mesmo terminando o jogo com 17 finalizações (8 na meta) e com 58% de posse de bola, os americanos não desestabilizaram o sistema holandês, que parece calcular bem os riscos ao jogar desta forma. Agora os holandeses estão entre as 8 melhores seleções do Mundial do Catar e mantendo vivo o sonho de conquistar a taça da Copa do Mundo pela primeira vez.
Australia fecha os espaços, mas Messi encontra brecha para classificar a Argentina.

O segundo confronto das oitavas de final foi entre Argentina e Australia.

Os argentinos se classificaram em primeiro no grupo C, apesar do susto com a derrota na estreia para a seleção da Arábia Saudita, quebrando uma invencibilidade de 36 jogos que foi carregada até o início do Mundial. Os australianos surpreenderam no grupo D ao vencer Tunísia e Dinamarca (ambos os jogos por 1 a 0) e avançarem como 2° colocado, sendo somente a segunda vez na história que a Australia alcança a segunda fase da principal competição de seleções.

Antes do jogo, a expectativa era dos Socceros postados na defesa e somente tentando evitar as ações ofensivas da Argentina. E a expectativa se cumpriu perfeitamente. O sistema australiano contava com duas linhas baixas de 4 jogadores anulando quase todas as tentativas de jogadas dos hermanos. Muitas vezes mesmo os atacantes Duke e Irvine se encontravam atrás da linha da bola, dificultando ainda mais o ataque sulamericano. A Argentina que encontrou um novo meio de campo durante a fase de grupos com Enzo Fernández, Mac Allister e De Paul tinha o desfalque de Di Maria no ataque, poupado da partida, e substituído por Papu Gómez. O time trocava passes, mas sem gerar perigo, representados pelos 60% de posse de bola, que não eram efetivos e não resultavam em chances de gol. O primeiro tempo terminou com duas finalizações argentinas, sendo apenas uma na direção do gol. O grande diferencial é que este chute foi de Lionel Messi e para abrir o placar para os argentinos aos 35 minutos do primeiro tempo. Assim como no jogo contra o México, a única oportunidade que o craque teve, converteu. Foi seu primeiro gol em fase de mata mata de Copa do Mundo. Gol importantíssimo para forçar uma dinâmica de jogo diferente aos australianos e poder contar com o contra ataque ou pelo menos com mais espaços para jogar no segundo tempo.

Em jogos assim, aproveitar a mínima chance que o adversário possibilita é a oportunidade de vencer e para aproveitar, é preciso ter jogadores como o camisa 10 argentino. A segunda etapa já se iniciou diferente e em menos de 5 minutos, os argentinos haviam encontrado mais espaços do que em todo o primeiro tempo. Vale destacar aqui também a movimentação feita por Scaloni que sacou Papu Gomez para colocar Lisandro Martínez, alterando a configuração do time para 3 zagueiros. Maior poder defensivo, porém maior possibilidades de Molina e Acunã aparecerem no ataque com a perspectiva de jogo que se apresentava, já que para não serem eliminados, os australianos precisariam atacar. Se o primeiro tempo foi quase perfeito em erros do time australiano, um erro individual facilitou ainda mais a vida dos argentinos. Aos 12 minutos, o goleiro Mathew Ryan falhou ao tentar sair jogando, foi pressionado por Rodrigo De Paul e Julian Alvárez aproveitou para ampliar o marcador. 2 a 0 para a Argentina e classificação bem encaminhada para as quartas de final. O time mantinha a posse de bola em torno de 60% e desta vez encontrando espaços e gerando oportunidades de fazer mais gols.

O jogo está tranquilo, sem sustos para a defesa argentina até que faltando menos de 15 minutos para acabar o segundo tempo, uma bola mal rebatida por Enzo Fernández sobrou para o australiano Goodwin, que arriscou de fora da área. A bola provavelmente não levaria perigo à meta de Emiliano Martínez, mas desviou em Enzo Fernández e foi parar no fundo do gol. Os australianos diminuiram a vantagem e tinha tempo para buscar o empate. Por pouco o empate não veio em um gol que Maradona aprovaria, pois Behich saiu fintando desde o meio de campo, passou por quatro marcadores e apenas não marcou porque foi travado na hora do chute por Lisandro Martínez. A Australia não tinha mais condição de não gerar espaços, pois continuava buscando o ataque como fosse possível. A desorganização defensiva gerou um sequência gols perdidos pelos argentinos. Só o Lautauro Martínez perdeu 3 gols que não costuma perder. Messi também chutou para fora uma oportunidade.

Quase esses gols fazem falta à seleção albiceleste, pois faltando 20 segundos para completar os 7 minutos de acréscimo, a Asutralia lançou uma bola na área, o atacante Kuol conseguiu dominar, girar em cima de Tagliafico e chutar para o gol. Emiliano Martínez fez uma defesa monstuosa e garantiu a Argentina nas quartas de final. Chegaram como favoritos, se desestabilizaram, se reogarnizaram e sempre vão contar com a genialidade de Messi em jogos difícies. Assim caminha a Argentina em busca do tricampeonato mundial.


Mbappé dá show, França não dá chances para a Polônia e segue para as quartas de final.

França e Polônia fizeram o terceiro jogo e o primeiro duelo entre europeus da fase de oitavas de final. A favorita França poupou jogadores no terceiro jogo da primeira fase contra Tunísia, foi surpreendida, perdendo de 1 a 0, mas se classificou como primeira no grupo D. Já os poloneses se classificaram no critério de cartões amarelos, já que empataram em pontos, saldo de gols e gols marcados com os mexicanos. Se garantiram como segundo colocado por serem mais disciplinados que a seleção do México.

Diante do que se viu no jogo entre Polônia e Argentina, pela terceira rodada da primeira fase, se esperava uma seleção polonesa se defendendo, contando com a muralha Szczesny e buscando que a estrela do craque Lewandowski brilhasse em algum momento para conseguir algo contra os franceses. A França iniciou o jogo explorando (e muito) Mbappé pela esquerda e Dembelé pela direita.

Os poloneses não conseguiam conter os atacantes franceses e em uma descida de Dembélé quase Giroud abre o placar. Griezmann aparecia em todas as partes do campo e contribuía para o ataque francês chegar perigosamente no gol polonês. Aos 37 minutos do primeiro tempo, fugindo do roteiro, a Polônia desceu pela esquerda e após cruzamento de Bereszyński, Zielinski chutou para defesa de Lloris - o goleiro francês completava uma marca histórica igualando a Lilian Thuram como jogador que mais vezes defedeu a França – e no rebote Kaminski chutou com o goleiro já batido, mas Varane apareceu em cima da linha para salvar os franceses. Se os poloneses não aproveitaram a oportunidade, 5 minutos mais tarde, Mbappé dá um lindo passe para Giroud, que bate na saída de Szczesny e faz 1 a 0. O gol também representa um marco histórico: o camisa 9 ultrapassa Thierry Henry e se isola como o maior goleador da história da França, com 52 gols. O primeiro tempo se encerrou e Mbappé e cia faziam uma exibição para se impor ainda mais entre as favoritas.

Se o primeiro tempo foi bom, o segundo pode ser considerado um massacre. A Polônia não conseguiu criar alternativas para atacar e se defendia como podia. Mbappé, Giroud e Hernández perderam boas chances de ampliar. Aos 29 minutos, o 2 x 0 chegou. Como esperado, a Polônia ao tentar o empate abriria caminho para os contra ataques da França. Numa jogada muito rápida, Dembélé passou para Mbappé acertar um chutaço. Naquele momento era difícil não nomear o camisa 10 como melhor em campo, mas Rabiot, Giroud e principalmente Griezmann também brilhavam e empolgavam com o volume de jogo apresentado. Mas para não deixar dúvidas, aos 45 minutos, Mbappé fez seu quinto gol na Copa do Catar e mais um lindo gol, num chute indefensável. Uma atuação de gala!

Antes de acabar o jogo, a Polônia foi ao ataque e conseguiu um pênalti, confirmado pelo VAR. Talvez um presente dos “deuses do futebol” para Lewandowski fechar sua participação em Copas do Mundo com um gol, já que dificilmente disputará o próximo Mundial, de 2026. Ele cobrou e Lloris defendeu, mas se adiantou e portanto a cobrança foi repetida. Dessa vez, Lewa não errou e diminuiu para a Polônia. 3 a 1 para a França e fim de jogo. Só não diminui o brilho do maduro (mas jovem) time francês que superou desfalques importantes e liderados pelo impressionante Mbappé, com excelentes coadajuvantes, e com um técnico há 10 anos no comando do time se consolida como fortíssimo candidato ao seu terceiro título, sendo o segundo de forma consecutiva, que não ocorre desde 1962 quando o Brasil consegiu o bicampeonato no Chile, após ter sido campeão na Suécia, em 1958.

Kane marca, “meninos” se destacam e Inglaterra despacha Senegal.

Ingleses e senegaleses fecharam o segundo dia das oitavas de final. A Inglaterra, primeira colocada do grupo B, iniciou empolgando a todos com uma goleada sobre o Irã, mas não repetiu as atuações chegou sob desconfiança para a segunda fase. Já Senegal, os atuais campeões africanos superaram o desfalque de sua principal estrela, Sadio Mané, e se classificou em segundo no grupo A, após vitórias contra Equador e Catar.

Considerando o cenário da primeira fase e a história, a Inglaterra entrou como favorita no confronto, assim como Holanda, França e Argentina, mas considerando os quatro primeiros jogos das oitavas de final, muitos apostariam que a zebra poderia aprontar neste jogo. Senegal tem bons nomes e se mostrou organizado nas três primeiras partidas. Iniciando o jogo, a organização se manteve.

Apesar de maior posse de bola, a Inglaterra não conseguia transformar o domínio em oportunidades de abrir o placar. Até os 37 minutos, as duas melhores chances tinham sido de Senegal, sendo que aos 31, Pickford salvou o English Team defendendo o chute de Boulaye Dia, de dentro da área. Não converteram as oportunidades em gol e aos 38 minutos, os ingleses venceram o sistema defensivo com uma jogada que se iniciou com um excelente passe de Harry Kane para Jude Bellingham. A jóia inglesa encontrou Henderson, que fez 1 a 0 para Inglaterra. A partir daí, Senegal sentiu o gol sofrido e não teve qualquer chance de fazer frente aos ingleses.

Já nos acréscimos, os ingleses roubaram a bola no campo de defesa e puxaram um contra ataque mortal. Bellingham roubou a bola, conduziu até a intermediária e tocou para Foden, que em um passe de primeira deixou para Kane fazer o seu primeiro gol no Catar. Se em 2018, todos os gols do camisa 9 inglês foram na primeira fase e este ano passou em branco com gols nas três primeiras partidas, o atacante do Tottenham abre a fase de mata mata marcando. 2 a 0 no intervalo e a chance de zebra quase se anulando. Foram dois gols marcados com dois chutes no gol comprovando que a superioridade inglesa só ocorreu devido aos destaques individuais, principalmente Bellingham.

E se buscar uma reação já estava complicado para a seleção africana, com 12 minutos do segundo tempo, após mais uma jogada muito bem trabalhada do ataque inglês, Foden encontrou Saka que fez 3 a 0 e selou a classificação inglesa à próxima fase. Com o placar definido, o jogo ficou pouco movimentado e sem oportunidades relevantes para nenhum dos lados. A Inglaterra avança, ainda sem se passar um por um grande teste para sua defesa, mas com um ataque que apresenta muitas opções e talentos individuais que podem decidir partidas. Não se pode descartar a atual vice campeã da Eurocopa e semifinalista da Copa do Mundo da Rússia, portanto os ingleses continuam na disputa para seu segundo título Mundial.

Apesar das zebras na primeira fase com derrotas inesperadas de algumas seleções favoritas, as duas partidas de quartas de final já definidas nos reservam dois excelentes jogos: as invictas Inglaterra e Holanda tentarão desbancar as favoritas França e Argentina.

O clássico europeu Inglaterra e França está agendado para o próximo sábado, 10/12, às 16h. Será a primeira partida entre ingleses e franceses válida pela fase eliminatória. Nos dois embates anteriores (1966 e 1982), ambos na fase de grupos, os inglesese venceram. Já Holanda e Argentina já disputaram final de Copa do Mundo, em 1978, em solo argentino, quando os hermanos garantiram seu primeiro título mundial. As equipes também já se encontraram outras 4 vezes em Mundiais, com 2 vitórias da Laranja Mecânica (em 1974, na fase de grupos e em 1998, nas quartas de final, mesma fase em que se enfrentarão no Catar).

Também empataram dois jogos: em 2006 pela fase de grupos e em 2014, na semifinal, em que os argentinos venceram nos penaltis e se classificaram para a final contra a Alemanha. O jogo entre europeus e sulamericanos será sexta-feira, 09/12, às 16h.

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Bruno Figueira Gomes Ver mais desse colunista

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